maio 13, 2004

NOVOS DESAFIOS PARA UMA EUROPA ALARGADA E AS ELEIÇÕES DE 13 DE JUNHO

O dia da Europa, assinalado no passado dia 9 de Maio, ocorreu uma semana depois do maior alargamento de sempre. O sonho dos pais da Europa, Jean Monet e Albert Schuman, vai-se concretizando e, aquilo que parecia impossível há pouco mais de uma década, vai-se tornando realidade. Com a adesão dos novos dez Países inicia-se um processo irreversível de unificação da Europa. Este alargamento representa, efectivamente, um passo decisivo para a reunificação europeia que a segunda guerra dividiu e que a queda do muro de Berlim tornou possível.
Somos hoje 25 Países que, com a sua diversidade cultural, emprestam à ideia de Europa uma singularidade e riqueza que, mais do que ser olhada como um problema, deve ser encarada como uma oportunidade. Confesso que me emocionei ao ouvir as reportagens, nas rádios e televisões, alusivas ao dia da Europa e ao significado do alargamento.
O mundo é hoje algo de muito complexo e o fenómeno da globalização coloca- os a todos perante novos desafios. À Europa cabe um papel fundamental na gestão do mundo actual e, para isso, tem que ser capaz de enfrentar estes novos desafios. Tem que ser capaz de se modernizar e ser competitiva, ocupando lugar liderante no mundo globalizado. Ao fazê-lo dará um contributo fundamental e imprescindível no combate aos unilateralismos que caracterizam a ordem mundial de hoje, sob o comando da única potência que são os Estados Unidos da América.
A Europa tem um património, construído ao longo de séculos, de que se pode orgulhar. O modelo social europeu, construído no pós-guerra e resultado da confluência inteligente das duas principais correntes políticas da época, o socialismo democrático e a social democracia, bem como a tradicional democracia cristã, está hoje em perigo.
As novas correntes conservadoras e populistas, de que é representante em Portugal o CDS de Paulo Portas, bem como as correntes neo-liberias, de que são representantes em Portugal alguns sectores hoje dominantes do PSD, ameaçam o equilíbrio alcançado na Europa, pondo em causa os fundamentos do modelo social europeu, cuja característica principal é a defesa de uma economia competitiva ao serviço das pessoas e, por isso, organizada para a promoção da solidariedade.
O Partido Socialista, reivindica-se desse património europeu e, por isso mesmo, esteve na primeira linha do processo de integração de Portugal na Europa. Foram os Governos de Mário Soares que requereram a adesão à então CEE, contra a opinião de muitos que hoje se apresentam como os grandes campeões da Europa. Foram os Governo de Mário Soares que assinaram a adesão de Portugal à União Europeia e foram os Governo de António Guterres que conduziram Portugal ao euro, colocando Portugal no núcleo duro da construção europeia.
A Europa já faz parte de nós. Grande parte do que acontece em Portugal é fruto da decisão partilhada dos parceiros europeus, onde o papel de Portugal tem que continuar a ser reforçado. Não de forma subserviente, como faz o actual Governo, mas de forma actuante e activa, como fomos capazes de fazer com a aprovação da Estratégia de Lisboa, durante a última presidência portuguesa, liderada pelo então Primeiro-ministro António Guterres.
O que está em causa nas próximas eleições de 13 de Junho é, por isso, muito importante. A eleição dos deputados ao Parlamento Europeu é a oportunidade de colocar, nas instituições europeias, deputados que defendem o aprofundamento do modelo social europeu, isto é, um Europa solidária e competitiva, capaz de ocupar o seu lugar próprio na comunidade internacional e contribuindo, assim para a regulação da globalização. Os deputados que garantem estes objectivos encontram-se nas listas do Partido Socialista.
A vitória do Partido Socialista, nas próximas eleições de 13 de Junho, para além de contribuir para o reforço do Grupo Parlamentar Socialista no Parlamento Europeu, constituído por deputados socialistas de todos os Países Europeus, servirá, também, para dar um sinal claro de reprovação da política do actual Governo da maioria PSD/CDS que tem conduzido o País a uma situação insustentável, como todos os Portugueses sente.
Um vitória do Partido Socialista e dos socialistas nos restantes Países, poderá, igualmente, ser um contributo decisivo para que possamos ter um português na Presidência da Comissão Europeia: O Comissário António Vitorino, que todos nos habituamos a respeitar pela sua competência, é um socialista que pode ser Presidente da Comissão Europeia, caso a família socialista vença as próximas eleições europeias.
É, pois, muito o que está em causa nas eleições de 13 de Junho. Reforçar o peso do Grupo Parlamentar Socialista no Parlamento Europeu, como forma de aprofundar a construção de uma Europa que não renegue o modelo social europeu; mostrar um cartão amarelo ao Governo pela política desastrosa que tem seguido e contribuir para a condução de António Vitorino à Presidência da Comissão Europeia.
É preciso e fundamental votar. A abstenção e o voto na coligação de direita são, objectivamente, aliados nestas eleições.

Por Alexandre Rosa - Crónica de Opinião na Antena Miróbriga

Publicado por atento em maio 13, 2004 07:55 PM
Comentários

Very useful comments - good to read

Justyn Janine

Afixado por: Justyn Janine em julho 15, 2004 03:50 PM

As eleições europeias a disputar no dia 13 de Junho devem ser focalizadas no que elas são de facto: eleições europeias. Assim, será importante que os partidos, na sua campanha, divulguem as suas propostas e respostas para o clube que é cada vez maior e também cada vez mais assimétrico, como o é o actual Clube dos 25. Nessas propostas/respostas, os desafios nacionais face à Europa e ao Mundo cada vez mais global têm de estar presentes. Pelas propostas/respostas tornadas públicas pelos diferentes partidos a força política mais preocupada e que tem respostas mais abrangentes para os problemas do desemprego,do ambiente, das assimetrias, da mobilidade dos trabalhadores, da deslocalização das empresas, do modelo social europeu, do conhecimento, da formação, da Europa aliada dos Estados Unidos, mas não refém, da política Buschiana, é o Parido Socialista. Assim a 13 de Junho,e pelos motivos atrás referidos, voto no PS.

Afixado por: Manuel Mourão em maio 21, 2004 06:05 PM

Até me parece ao contrário.... Com uma vitória do PSD/PP Vitorino sairia reforçado, porque além do apoio do seu pattido ainda teria o apoio de um partido vencedor e de cor contrária à sua, mostrando que sabe conviver bem com isso.

Afixado por: cparis em maio 18, 2004 06:02 PM

Meu caro Luis Humberto
Penso que estamos esclarecidos e, mais uma vez, lhe agradeço a visita ao site e a forma cordial como respondeu à minha mensagem. È assim, no meu entender, que se vive a democracia. Seixe-me mais uma clarificação. Eu não disse que a designação de António Vitorino depedia dos votos do PS. Disse que, e isso é verdade, que os votos no PS podem contribuir para que isso aconteça.
E, por isso, é uma boa razão para votar no PS. Mas há mais e, porventura mais importantes. Mostrar a nossa indignação pelo estado a que isto chegou, por força da política deste Governo e reforçar a presença socialista no Parlamento Europeu. Penso que estamos de acordo.
Apareça sempre. Um abraço do
Alexandre Rosa

Afixado por: Alexandre Rosa em maio 17, 2004 10:23 AM

Caro Alexandre Rosa,
Também eu reconheço a importância de um família socialista europeia forte e até gostaria que ela tivesse maior peso no PE que o Partido Popular Europeu, de que faz parte o PSD.
Tenho esta posição porque, como ecologista, estive atento às votações dos vários grupos em matéria de ambiente, área em que tenho de dar os parabéns aos eurodeputados do PS Carlos Lage, Joaquim Vairinhos e Paulo Casaca.

Por fim, gostaria de esclarecer o uso do termo "chantagem". As aspas são propositadas porque, no momento em que estava a escrever o comentário, a frase não me veio como eu queria.
A ideia que pretendia passar era algo do tipo: "Então para quê repetir a fórmula, dizendo que a eleição de António Vitorino para a Presidência da Comissão Europeia depende do voto no PS?"

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em maio 15, 2004 08:53 AM

Meu caro Luis Teixeira
Tem razão. A escolha do Presidente da Comissão Europeia depende das maiorias políticas alcançadas nos 25 Estados membros, nas eleições europeias.Foi isso mesmo que eu disse no meu artigo. É evidente que Portugal é um desses Países e a vitória do PS contribuirá para esse objectivo. Em Portugal cabe-nos, a nós, decidir, votando onde nos parecer mais adequado. Nos outros Países serão outros cidadãos a fazê-lo.
Mas é sempre bom saber que há pessoas, como o meu caro amigo, que estão atentas e têm oportunidade de discordar. Creia, contudo, que o objectivo do meu texto não é fazer qualquer forma de chantagem. É, tão só, tentar mostrar a importância das próximas eleições e a importância que tem, para o futuro da Europa, a vitória da família socialista europeia.
Continue a aparecer no blog com as suas opiniões, mesmo que diferentes das nossas.
Alexandre Rosa

Afixado por: Alexandre Rosa em maio 14, 2004 11:43 AM

Em 1999 foi o apelo ao contributo decisivo para que Mário Soares fosse presidente do Parlamento Europeu (PE). O PS ganhou, mas Soares não foi presidente do PE.
Então para quê repetir a dose, com a "chantagem" de que a eleição de António Vitorino para a Presidência da Comissão Europeia depende do voto no PS?
As pessoas já sabem, ou pelo menos deviam saber, que não é votando no PS que este ou aquele português ocupa um cargo importante a nível europeu, pois esses são definidos pelas maiorias políticas resultantes das eleições nos 25 países da União Europeia.

Afixado por: Luís Humberto Teixeira em maio 13, 2004 08:15 PM